Como Escrever Vilões que os Leitores Conseguem Visualizar
Se queremos que os leitores aproveitem o que escrevemos e as histórias que contamos, precisamos considerar cuidadosamente como fazer com que eles vejam o que queremos que vejam enquanto estão lendo.
Isso é especialmente importante com vilões — afinal, quem não gosta de um vilão interessante, dinâmico e memorável?
1. Escreva o que você vê
Todos já ouvimos a frase: “mostre, não conte.”
É um clichê.
Mas clichês se tornam clichês porque, na maioria das vezes, são verdadeiros.
Então, como usar isso a nosso favor?
Precisamos encontrar maneiras de mostrar através da escrita, em vez de apenas contar.
Exemplo ruim:
“Ele era malvado e ganancioso.”
Exemplo bom:
“Ele a jogou no chão da cozinha, murmurando o quão inútil ela era. Em seguida, pegou uma nota do dinheiro que havia caído da bolsa dela. Enquanto olhava para o dinheiro, levemente inclinado por estar bêbado, cuspiu nela, saiu pela porta e a bateu com força.”
Esse tipo de escrita leva mais tempo e exige mais criatividade — mas o resultado é muito mais envolvente e mantém o interesse do leitor por mais tempo.
👉 Dica prática:
Pense em algo que você quer dizer sobre o vilão e depois transforme isso em ações concretas que revelem essa característica.
2. Seja mais específico
Às vezes é difícil fazer o leitor “ver” o vilão, em vez de apenas ouvir sobre ele.
Uma forma garantida de resolver isso é usar detalhes específicos.
Exemplo ruim:
“Ele usava um casaco e óculos.”
Exemplo bom:
“Quando entrou pela porta, a primeira coisa que chamava atenção era seu rosto sujo e mal barbeado, escondido atrás de pequenos óculos redondos e finos, com uma lasca em um dos lados. Nem a barba escondia suas maçãs do rosto marcantes, mas ele nunca levantava o olhar. Seu longo casaco de couro marrom parecia ter vinte anos — como se nunca tivesse sido lavado — arrastando levemente a cada passo. Se o cheiro não vinha do próprio corpo, certamente vinha do casaco.”
Mais uma vez: leva mais tempo e exige esforço criativo, mas faz toda a diferença.
👉 Foque em transmitir:
- o que você vê
- o que você ouve
- o que você sente (inclusive cheiros e texturas)
Você não precisa usar palavras complicadas — apenas ser preciso e sensorial.
3. Não apenas escreva — esteja lá
O melhor escritor não é aquele com a melhor ideia de história.
É aquele que consegue viver a cena e depois transmitir essa experiência ao leitor.
Pense nos seus sentidos:
- Como o ambiente cheira?
- Que música está tocando?
- O lugar é claro ou escuro?
- O que o vilão está vestindo?
- Como é o cabelo dele?
- Ele tem barba?
- Qual é a cor dos olhos?
- Ele está bebendo? O quê?
- Como ele reage — com expressões ou palavras?
Não force nada.
Apenas imagine a cena como um filme na sua mente e descreva exatamente o que você está vendo.
Se você fizer isso, vai capturar a atenção e a imaginação do leitor.

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